O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou quaisquer interações com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em relação à transação do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em nota divulgada nesta terça-feira, Moraes afirmou que não houve conversas sobre a compra, contrariando informações de que ele teria abordado Galípolo diversas vezes sobre o tema.
Reuniões com o Banco Central
Segundo Moraes, os encontros que tomou com Galípolo, realizados no seu gabinete, focaram exclusivamente nos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky pelos Estados Unidos. A primeira reunião aconteceu em 14 de agosto, logo após o ministro ter sido alvo das sanções. Uma segunda reunião foi realizada devido à mesma sanção aplicada à sua esposa.
Moraes foi enfático ao declarar que “nunca esteve no Banco Central” e que não houve “qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto”. Além disso, esclareceu que o escritório de advocacia de sua esposa não teve envolvimento na operação envolvendo o Banco Master.
Contexto da Lei Magnitsky
A Lei Magnitsky é usada pelos EUA para penalizar autoridades estrangeiras. Os alvos da lei veem seus bens bloqueados em solo americano e estão proibidos de realizar negócios com entidades estadunidenses.
Moraes e sua esposa foram sujeitos a essas sanções em julho, uma situação posteriormente revertida após negociações diplomáticas. A interseção desta lei nas interações de Moraes com dirigentes financeiros gerou especulações, agora desmentidas pelo ministro.
Banco Master e suas Controvérsias
O Banco Master enfrentou escândalos financeiros antes da tentativa de venda ao BRB. Investigações indicaram irregularidades nas operações da instituição, incluindo a emissão inadequada de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e suspeitas de manipulação de carteiras de crédito.
Em resposta a esses problemas, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro, interrompendo suas operações e acionando o Fundo Garantidor de Créditos para compensar investidores lesados. A venda do Banco Master ao BRB foi inicialmente avaliada em R$ 2 bilhões, mas foi barrada por não apresentar viabilidade econômica.
Declarações do Banco Central
O Banco Central confirmou a realização de reuniões com Moraes, reiterando que as discussões giraram em torno dos impactos da Lei Magnitsky. Essas informações adicionaram contexto às alegações de que Moraes estaria pressionando a favor da compra, uma narrativa agora desmentida pelo próprio ministro.
O caso continua a ser um ponto de atenção para analistas e o sistema financeiro, especialmente diante das investigações em curso sobre possíveis crimes econômicos relacionados ao Banco Master.
Baseado em: G1
Foto: Reprodução/G1





