Estima-se que mais de seis milhões de brasileiros precisam de cirurgia bariátrica como única saída para combater a obesidade. No entanto, a capacidade do sistema público de saúde para atender essa demanda é limitada, o que gera longas esperas. Especialistas recomendam a criação de uma fila única para otimizar o atendimento, semelhante ao sistema usado em transplantes.
Desafios e Esperas
Cristiane Pedro, empregada doméstica de Três Pontas, Minas Gerais, exemplifica o drama enfrentado por muitos. Após sete anos aguardando pela cirurgia, ela e outras pacientes recorreram à Justiça devido à demora. “A gente fica assim até meio depressiva sabe, meia para baixo”, desabafa Cristiane, que até iniciou os exames pré-operatórios.
Situação Atual do SUS
A cirurgia bariátrica, atualmente, é a única opção disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para tratar a obesidade. Embora tenha havido um aumento de 25% no número de cirurgias entre 2023 e 2024, os primeiros nove meses de 2025 registraram uma queda de 14,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Distribuição Desigual
O SUS conta com 120 centros habilitados para realizar a cirurgia bariátrica, concentrados principalmente no Sul e Sudeste, enquanto a Região Norte possui apenas cinco desses centros. Isso evidencia a necessidade de uma melhor distribuição dos recursos de saúde.
Obesidade: Problema Global e Nacional
Com 68% da população brasileira acima do peso, a obesidade é considerada uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Projeções indicam que, até 2030, 119 milhões de brasileiros estarão acima do peso, o que acende o alerta para doenças graves como problemas cardíacos, diabetes e câncer.
Novos Tratamentos e Custos
Uma tecnologia emergente, as canetas emagrecedoras, ainda está fora do alcance da maioria devido ao alto custo. Apesar de a OMS recomendar seu uso prolongado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao SUS não aprovou seu uso na rede pública, citando despesas anuais de R$8 bilhões. A expectativa é que futuras diretrizes possam reduzir esses custos.
Bruno Halpern, presidente da Federação Mundial de Obesidade, destaca a importância de políticas públicas para tornar esses medicamentos mais acessíveis. “A diretriz da OMS também tem como objetivo deixar claro para Governos, até pra indústria, de que esses remédios são importantes”, afirma.
O Ministério da Saúde continua promovendo mutirões como parte de um esforço abrangente para lidar com as necessidades daqueles que esperam pela cirurgia bariátrica no Brasil.
Baseado em informações de: G1
Foto: Reprodução/G1





